Resenha histórica dos Vinhos Verdes

A influência romana estará na origem da Região dos Verdes, à semelhança de outras regiões vinhateiras da Europa mas só no século IX encontramos o primeiro documento com referência à doação de vinhas e cubas para guardar o vinho, em Alpendurada, Marco de Canaveses.

Em 949, no Livro de D. Mumadona Dias, encontra-se referida a vinha de cercadura. Outros documentos poderíamos citar embora seja desnecessário se percebermos que a cristianização do território e o surgimento das paróquias incluía imperiosamente vinho nas celebrações.

O conhecimento vitivinícola está demonstrado em algumas casas monásticas dos monges de Cister cuja fundação remonta aos séculos XI e XII. Na Idade Média, os contratos de exploração agrícola exigiam quase sempre uma quantidade de vinho nas rendas, por isso a sua inserção na dieta alimentar da população já deveria estar vulgarizada. Ao longo dos tempos foram-se testando várias formas de suportar a videira que por ser uma trepadeira, naturalmente se enrolou em árvores ou noutros tutores naturais. Considerando que a região caracteriza-se maioritariamente pelo minifúndio e dado o aumento populacional, é necessário plantar na zona central dos terrenos outros géneros alimentícios encostando-se a vinha ao perímetro da área agricultada. Ficou assim caracterizada a Região dos Vinhos Verdes no período medieval e ainda assim se vai vendo, com ramadas a definirem os limites dos campos ou a ensombrarem quintais no verão.

Nos séculos XVI a XVIII, o Vinho Verde é mencionado na documentação como importante fonte de receita fiscal, sinal do seu peso na economia. Em meados do século XIX com o aparecimento da filoxera dão-se grandes alterações na plantação da videira, a enxertia passa a ser uma prática obrigatória para quem quisesse produzir vinho.

Vários foram os caminhos e meios de transporte do Vinho Verde para as feiras dos centros urbanos. O dorso dos animais carregava-o em odres e quartos de pipa que  os carreiros orientavam. Pelo mar, navegou nas lanchas e nos patachos e até ele descia os rios nos barcos de "água arriba” ou nos "rabelos”.

Nos anos 50, do século XX foram as Adegas Cooperativas a desempenhar um grande papel na produção e divulgação deste vinho e tanto o consumo como a alteração dos sistemas de condução da vinha e o controlo de qualidade levaram a um aumento da produção.

O Vinho Verde representa hoje mais de 30 milhões de euros em exportações.

Chega a mais de 70 países de todos os continentes.



       

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